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O que é “geração tombamento”? A gente explica!

As redes sociais, a beleza, a moda e a música são as novas armas de luta de uma nova geração de jovens com forte discurso e visão cultural.

Criado por Avon Brasil em parceria com Huffpost

Nunca ficou tão claro que o momento é de mudança. Seja pela comunidade negra, LGBTQ+ ou em relação aos direitos das mulheres, a sociedade como a conhecemos está aprendendo um novo jeito de ser e de viver. Você sabe o que é “geração tombamento”? Confira como essa geração traduz uma nova forma de pensar:

 

O que é “geração tombamento” e o que ela representa 

A “geração tombamento” – rótulo que alguns rejeitam -, é o nome dado aos jovens com forte discurso e visão cultural, em sua maioria negros da periferia, que tem encontrado na música e na estética uma forma de colocar a sua posição política para rodar. Inspirados em artistas como Conka, a rapper Tassia Reis e MC Carol – ambas estrelas de campanhas da Avon -, esses jovens estão tomando as ruas e criando uma maneira diferente de serem vistos e ouvidos, inserindo-se em locais onde nunca foram aceitos.

 

Festa Batekoo: a ocupação do espaço público

A festa Batekoo tomou as ruas de Salvador, São Paulo e do Rio de Janeiro e abriu espaço para os jovens da periferia se divertirem. Um evento altamente inclusivo e diverso, que celebra a cultura negra, a acessibilidade e a representação, tornou-se uma referência da geração. Ali, os jovens negros se sentem livres para se expressarem como bem entendem, para se divertirem e aproveitarem uma noite na cidade em um ambiente onde os julgamentos não têm vez.   

“Nós, jovens negros, crescemos sem muitas referências e até mesmo sem muito autoamor, sempre somos condicionados e ensinados a esconder nossa estética, nossos traços negros e nossas opiniões. A Batekoo e outros eventos têm como narrativa libertar e expor o que realmente somos, é uma proposta emancipatória, não apenas uma festa”, explica a ativista Stephanie Ribeiro.

 

Maquiagem é empoderamento 

A estética é um marco no dia a dia e nas festas frequentadas por essa turma supercriativa. A maquiagem compartilhada por todos os gêneros é uma obra de arte aberta em processo de construção. Sempre tão distante de tudo aquilo que é mainstream e considerado ‘cool’ por jovens de classe média alta, a “geração tombamento” é a prova de que maquiagem e beleza são potências expressivas e que não é preciso um nécessaire cheio de marcas caríssimas e importadas para criar um look que represente tudo o que uma pessoa acredita. “Eles não têm o poder aquisitivo para adquirir uma roupa de moda e buscam usar isso como uma forma de expressão. Eles garimpam muito em brechó. Têm esse discurso de que não tinham dinheiro, começaram com blog para postar dicas de moda acessível, de customização de roupas”, comenta Brenda Zapana, frequentadora da Batekoo. 

A fotógrafa Bia Ferrer, conhecida por registrar belezas reais nas ruas das cidades, diz que toda essa nova estética chama atenção para as questões defendidas pelo público de festas itinerantes, como a ocupação do espaço público, respeito a diversidade e acessibilidade: “Com a popularização das câmeras digitais, as ‘fotos de revista’ deixaram de ser as únicas a apresentar os padrões. Todo mundo começou a se fotografar, e consequentemente a se olhar mais. Estamos em um momento em que os estereótipos estão caindo e que ‘beleza sozinha não serve para nada”.

 

O genial poder de expressividade

Recente frequentador da Batekoo, Guilherme Casiano já esteve em outros eventos com um viés semelhante, como a festa Mamba Negra. O ponto alto para ele, além da estética incrível e do propósito de divertir, é o quanto esses encontros são educativos. “O legal dessas festas altamente politizadas é que elas educam muito o público. Elas ensinam essas ideias políticas para quem frequenta”, explicou. 

Seja através da moda ou da música, a liberdade e igualdade são palavras de ordem. A sensação é de que as pessoas estão mais livres para serem quem são de verdade. Cada pessoa agora se vê mais livre para usar, vestir e maquiar o que lhe faz sentir bem. A questão da aceitação é igualmente mais ampla; as pessoas têm mais oportunidades de se enquadrarem em um cenário onde antes não se viam bem-vindas. Na verdade, o cenário é outro: elas não precisam mais se adaptar, elas já são aceitas por outras como elas. E utilizam seus looks, gostos musicais e festas que frequentam para mostrar que o preconceito e a discriminação, seja por questões de gênero e orientação sexual, seja por cor e raça, estão perdendo a força. 

Registro de Bia Ferrer na Festa Batekoo
Foto: Bia Ferrer
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